sábado, 22 de outubro de 2011

A Depressão de Deus




Desde o início da criação de tudo que existe no Universo, Deus, após a conclusão de sua grandiosa obra e do autorreconhecimento de que tudo que acabará de criar era "Belo, Bom e Perfeito", migrou silenciosamente para os confins da infinita e recém-criada galáxia. E por entre estrelas, planetas e cinturões rochosos, passou a vagar em absoluta solidão, convicto que não necessitava fazer qualquer outra coisa, exceto contemplar a exuberante, e até então, inédita obra: a existência de tudo que há. 
Os dias, os anos, os séculos, os milênios transcorreram, enquanto a existência se multiplicava em formas, tamanhos, dimensões e espécies. Ao Tempo, cabia à missão de fomentar essas mudanças, ordenando os dias e as noites, alimentando e destituindo ciclos de existência, entrelaçando tais ciclos com a inusitada experiência da Vida e da Morte; experiências essas, inquestionáveis e irrepreensíveis a todos que foram criados pela força Divina.
Entretanto, para o Criador, o Tempo não transcorria, impossibilitando para Ele, o conhecimento da experiência do envelhecimento, e, muito menos, a da morte. Incapaz de sofrer as dores e, as limitações das criaturas que criara, contentava-se simplesmente, em vagar pelo Cosmos, descansando às vezes por milênios em uma Constelação além da imaginação de qualquer ser, noutras, divertia-se fazendo redemoinhos no Nada, e assim, criava buracos-negros que engoliam planetas inteiros, aniquilando a vida presente neles, independentemente, do estágio evolutivo de seus habitantes.
Em outras situações, particularmente nos momentos de profunda reflexão, perguntando-se sobre o porquê de tudo que acabara de criar, apresentava-se sorrateiramente através de sonhos para alguns; fazendo surgir os primeiros bruxos, magos, paxés, xamãs, curandeiros, profetas, santos, e outros detentores da verdade sobre mundo, e sobre tudo que existe. Intimamente, divertia-se com essas brincadeiras infantis, como Ele mesmo gostava de chamar, tais aparições oníricas, pois, não era sempre que podia compartilhar algumas ideias, desejos e vontades, e, sempre que após as manifestava no inconsciente de algum mortal, sentia-se um pouco mais tranquilo, sereno, menos turbulento, dormindo assim, durante alguns “dias” em profunda paz e quietude, em dimensões longínquas da Galáxia.
Dias de descanso que para nós humanos, pelo nosso tempo-cronológico, equivalem-se há milhares anos. E, sempre que Ele acordava do sono revigorante, mais alegre, descontraído, cheio de fulgor e criatividade se encontrava, encarando a Existência Infinita com mais sabedoria e tranquilidade.
E assim, sempre que estava nesses momentos de “paz interior”, o Criador agraciava a humanidade com o nascimento de um grande pensador, filósofo, músico, artista, escritor ou simplesmente, um grande líder que pudesse “orientar”, por assim dizer, os caminhos dos homens na Terra, em tempos históricos distintos.
E assim foi com Siddhartha Gautama, na Ásia Meridional, com Heráclito, Platão, Sócrates, Aristóteles, na Grécia Antiga; com Dostoiévski, Tosltói, Gogol, Mikhail Bakunin, na Rússia; com Amadeus Mozart, Bach, Schopenhauer, Kant, Nietzsche, Karl Marx, Rosa Luxemburgo, Freud, Albert Einstein, Hermann Hesse, na Alemanha; com Charles Baudelaire e Sartre, na França; Franz Kafka, na Áustria; Oscar Wilde, na Irlanda; Aldous Huxley, Jim Morrison, Jimmy Hendrix, Janis Joplin nos EUA; Charles Darwin, George Orwell, na Inglaterra; Mahatma Ghandi na Índia; Leonardo da Vinci na Itália; Castro Alves, Pedro Kilkerry, Manuel Bandeira, Milton Santos, Sérgio Buarque de Holanda, Carlos Prestes, Chico Mendes, Heitor Villa – Lobos, Raul Seixas, Glauber Rocha, no Brasil; Frida Khalo, no México; Ernesto “Che” Guevara, na Argentina, entre outros.
   Dias de descanso que proveram a humanidade com experiências gratificantes, produções artísticas, literárias e filosóficas em todos os campos do conhecimento, além de inúmeros e importantes avanços tecnológicos, fornecendo à espécie humana novas oportunidades para a sua sobrevivência e compreensão da sua existência.  Mas, para a aflição dessa mesma humanidade, os tais dias de descanso do Criador estavam ficando mais raros, refletindo diretamente em seu humor, que declinava gradualmente.
A Sua onisciência estava causando lancinantes dores de cabeça, pois ecoavam orações, preces, pedidos, lamentações de todas as direções do Cosmos. Quanto mais se distanciava no Tempo e no Espaço, mais as dores pioravam, influenciando assim nas suas decisões para com os seres humanos.
Certa vez, enquanto contemplava uma Super Nova engolindo toda a matéria de uma galáxia, sentiu uma terrível pontada no centro da testa, fechando violentamente o “Olho que vê tudo”. E assim, aqui na Terra, no século XII, surgiu Genghis Khan, “O Flagelo de Deus”. Tempos depois, dispenso em pensamentos autodestrutivos, após séculos sem dormir, fizera entrar em erupção o vulcão Vesúvio, dizimando a cidade de Pompéia em 24 de Agosto do ano 79 d.c . E assim, continuamente, inúmeras outras catástrofes selaram o destino de homens, mulheres e crianças.
Como nos dias felizes o Criador agraciava a humanidade com grandes gênios, nos dias irritadiços, ao contrário, a dádiva celeste não era tão boa assim.  Como reflexo disso, por exemplo, no século XIV, 75 milhões de pessoas foram mortas pela bactéria Yersinia Pestis, mais conhecida como causadora da peste bubônica. Coincidentemente, foi nesse século terrestre que o Criador resolveu durante um “dia”, não ouvir as preces de quem quer que fosse.
Numa outra situação, em um momento de profundo tédio, permitiu a constituição de “representações” de sua divindade na Terra, e assim, surgiu a Igreja Católica, que em nome da “Divindade”, trancou a humanidade no período chamado de “Idade das Trevas”, concentrando todo conhecimento produzido nos porões de seus suntuosos mosteiros, enquanto, dizimava todos aqueles que não concordavam com a nova fé.
Já em 15 de Agosto de 1769, em mais um período de desequilíbrio espiritual, o Criador, apresentou à humanidade, Napoleão Bonaparte, “O Monarca Iluminado”, este, em sua maioridade, dominou toda a Europa, aniquilando milhões na tentativa de “dominar o mundo” em nome de Deus.
Continuamente, cada vez que o Criador era acometido por uma grande dor, algo nefasto atingia a humanidade, alterando completamente o equilíbrio das forças da natureza, transtornando a mente humana, e infligindo uma expiação nos homens, proporcional ao desconforto existencial que Ele sentia ao vagar sozinho e desolado por todo infinito, em um ir e vir sem sentido, destruindo mundos, sem sentir o Tempo, e o peso de suas ações.
O tédio divino transformou-se em uma depressão, em uma sensação de vazio e desesperança, em um ódio contínuo pela atemporalidade, em no desejo crescente de abandonar tudo aquilo, toda aquela condição, que por si só, era absurda. Pois, Ele era o “Senhor dos Mundos”. Todo o tempo de sua existência, assistindo o nascer e o morrer da vida, o renovar das espécies, a aniquilação de planetas, estrelas e a formação dos dias e noites sem ser atingido causou-lhe uma aflição inominável. O criador não estava bem, e a humanidade sentia na pele, os reflexos de sua enfermidade.
Como prova, no final do século XIX, nasceram as “Dores de Deus”, futuros condutores da IIº Grande Guerra Mundial em meados do século XX, a destacar: em 20 de abril de 1889, nasce em Berlim, Adolf Hitler, “O Führer”;  em 29 de Julho de 1883, na Itália, Benito Mussolini, “O Duce”;  em 4 de dezembro de 1892, em Madrid,  nasce Francisco  Franco;  em 28 de Abril de 1889, em Portugal, Antônio Salazar; na Rússia, em 18 de dezembro de 1878, nasce Josef Stalin, “O mão de Ferro”.  Em comum, líderes de regimes políticos totalitários, que durante a IIº Guerra, levaram para o túmulo, aproximadamente 75 milhões de pessoas, findando este conflito, com a explosão da bomba nuclear, nas cidades de Hiroshima e Nagasaki pelos EUA.
A depressão de Deus cresceu, e no Brasil, em 1964, eclode a Ditadura Militar; transformando em “terroristas” e “subversivos”, todos que não estavam de acordo com o poder vigente, e, transmutando em heróis do Regime, todos os outros que estavam a favor, a lembrar, como exemplo, Roberto Carlos, “O Rei do Iê-Iê-Iê”, que alegrava os lares brasileiros, enquanto, nos porões cinzentos da Ditadura, vidas eram sacrificadas, sob a égide da “Ordem e do Progresso”. Somente no ano 1985 termina o Regime de Exceção.  Era Deus, dando possíveis sinais de melhoras...
“Melhoras”, pois, Ele estava combalido e extenuado com tudo que aconteceu. E como saída voltou-se para si, refletido sobre aquele estado de coisas, situações e consequências. Por mais que pudesse e estivesse ao seu alcance, não compreendia o porquê de tudo aquilo. Era tudo perfeito, sensato e acessível para todos. “O que estava errado afinal?”, perguntava-se. 
Concentrado em seu silêncio contemplativo, fizera surgir sobre a Terra, os primeiros avanços da medicina no enfrentamento de doenças consideradas incuráveis, a codificação do DNA, a clonagem de embriões, e o avanço do homem no Espaço Sideral, apresentando à humanidade as galáxias criadas por Ele, em fotos, imagens e cores inimagináveis. 
Mas, Ele não melhorou, e novamente caiu em depressão. Parou para assistir os aviões se chocarem no World Trade Center, viu a morte de Saddan Hussein e os planos de dominação global por parte dos governantes do Mundo. Admirou o flagelo de milhares de crianças na África e na Ásia, acompanhou o nascimento de uma nova ditadura no Brasil, em meio ao pagode à beira – mar. Transmutou-se na fumaça do crack, impregnando-se do delírio e do torpor do usuário, que, em seguida, assaltou um ônibus, sendo pego e linchado, clamando pelo seu Nome, em meio a socos, pontapés e facadas.
Lá estava Ele, presente na bala perdida que acabara de executar uma mulher grávida em frente à escola de sua filha. Estava também, sobre a maca com uma idosa à beira do Seu encontro, unicamente, por falta de atendimento médico adequado. Estava na lama que soterrara algumas famílias no último temporal que caiu no Sudeste e desastre que ceifou milhares de vida no Haiti, estava no assistencialismo criminoso do governo federal, nas altas cargas tributárias, e no silêncio dos movimentos sociais, que compactuam com todas as falcatruas políticas. Estava no choro de uma criança que acabara de nasce, e no sorriso amarelado da mãe, que acabara de parir, repleta de dúvidas sobre o destino de sua cria.
No final dessa nova crise, Deus precipitou-se em lágrimas, lançando-se na imensidão silenciosa do Universo, em direção ao Nada Infinito, rumo ao vazio, com a sua dor infinda atingindo todos nós com as dores da incerteza do século XXI. 


ALMEIDA. Acton Lobo de. Reflexões Tardias (Do indivíduo à sociedade soteropolitana no início do século XXI (Contos, crônicas e outros escritos). S/E. 2010

segunda-feira, 13 de junho de 2011

A CIDADE DE SALVADOR presente na Marcha pela Liberdade de Expressão!


Dia 18/06/2011, às 14:00hs, em frente ao TCA (TEATRO CASTRO ALVES), na Praça do Campo Grande. Vamos todos fazer parte desse momento histórico em nosso País. Leve a sua bandeira, o seu cartaz, dizendo um "BASTA!" à CORRUPÇÃO, à DITADURA RELIGIOSA EVANGÉLICA que está nascendo SOBRE A TUTELA E A PERMISSIVIDADE DE NOSSOS REPRESENTANTES. DIZER "NÃO!" À VIOLÊNCIA NA CIDADE, NO CAMPO e na SELVA, à INEFICIÊNCIA DE NOSSOS SISTEMAS EDUCACIONAL E DE SAÚDE. Dizer "BASTA!" À POLÍTICA DE SEGURANÇA PÚBLICA QUE CONTINUA A EXTERMINAR OS JOVENS NEGROS. DIZER "NÃO AO TRÁFICO DE DROGAS"! Dizer "BASTA!" ao desrespeito aos nossos IDOSOS, MULHERES, CRIANÇAS e ÍNDIOS. DIZER "NÃO!" à INTOLERÂNCIA RELIGIOSA e ao PRECONCEITO em suas distintas formas.  DIZER BASTA À CONSTRUÇÃO DA USINA DE BELO MONTE E DE NOVAS USINAS NUCLEARES EM NOSSO PAÍS!  E DIZER UM UNÍSSONO "NÃO À GRANDE MÍDIA"!  
O BRASIL GRITA BASTA! 
E SALVADOR NÃO SE CALARÁ A ESTE ANSEIO. 

VAMOS TODOS! 

Até quando?

sábado, 11 de junho de 2011

Não mais "Ordem" para o povo e "Progresso" para a burguesia.



 O anseio da sociedade brasileira por reformas (políticas, sociais e econômicas) é, inevitavelmente, uma voz uníssona que encontra nos descasos e desmandos políticos a sua centelha para “queimar” o medo e a acomodação de todos aqueles que não aguentam e não aceitam a destruição de tantos direitos às duras penas conquistados ao longo que, convencionamos e habituamo-nos a chamar de Democracia. Agora amigos distantes, twiiteiros e participantes de plataformas sociais, no alvorecer da segunda década de nosso milênio, acordar não é o lema, mas sim, despertar! Despertar para as possibilidades de melhorias, de inspirações à vida e uma das expressões cotidianas e necessárias para ela: a liberdade de expressão!


Um novo mundo está em gestação como “previu” Milton Santos, como documentaram Carlos Pronzato, Silvio Tendler e, Eduardo Galeano, nas recentes manifestações ocorridas na Espanha. Mundo onde é inadmissível assistirmos a castração mental de jovens desta época e de outrora (não mais jovens), mas presentes em existência. A aberração letárgica propagada pela mídia que convencionamos direcioná-la à “cultura de massas” está em queda, assim como, os nossos representantes políticos e as suas ações nefastas, propagadas por ideologias sectaristas que teimam em encontrar seguidores.
Não, mil vezes não! Não mais desejamos assistir silenciosamente, quietos em frente à TV, os desejos por uma sociedade PLURAL em ideias, comportamentos e decisões serem “apagados”, como se nunca existissem. Pois, distintas são as mentalidades e anseios que explodem dentro de cada um. Por isso, não queremos mais contar vidas destruídas, destituídas e inutilizadas, orgulhosamente apresentadas pelas estatísticas do IBGE, como se fosse algo habitual e divertido, mas que ganham formas, cores e consistências em nossas TV´s cada vez mais modernas em sua composição e obsoletas em suas programações;


“Nós que aqui estamos...” acreditamos que não é mais necessário justificarmos os “por quês” de tantos políticos obscuros que erroneamente permanecem às nossas custas através de nossos impostos; destruindo todas as melhores possibilidades para o nosso país.  Não! Não há necessidade para tal, pois diariamente sentimos as consequências de suas ações: A autorização da Construção da Usina de Belo Monte é um exemplo recente e incômodo desta decepção.


Basta de presentearmos os nossos recursos naturais aos “outros”, que encontraram aqui as “perfeitas condições” para roubar o que necessitamos para nossa sobrevivência, em um planeta que perde os seus recursos velozmente – desconsiderando - o equilíbrio necessário à sobrevivência de todos nós literalmente.  Hoje, necessitamos, sim, materializar a indignação da pergunta “Que país é esse?”;  como cantou a "Legião  Urbana"!


É chegada a hora, estudantes inquietos, pensadores irritados e amantes desejosos da liberdade plural e indivisível que, velozmente, vem sendo cerceada por uma estrutura econômica incapaz de sentir os anseios daqueles que clamam por MUDANÇAS. Seja em Salvador, seja em São Paulo, seja no Rio Xingu, sejam nas comunidades quilombolas e indígenas, porque todos nós necessitamos sim, materializar na história presente de nosso país, os nossos anseios, engrandecendo os embates daqueles que desapareceram no passado não muito distante de nosso país, por conta de uma ditadura, que hoje, acredita veementemente no servilismo de nossa população para justificar a dominação que, em hipótese alguma, irá se concretizar enquanto agirmos.   Pois, dentro de nós repercutem anseios de MUDANÇAS, que no alvorecer do século XXI encontraram na internet, os papiros e mensageiros de séculos passados, todos desejando uma única coisa: Liberdade!

Hoje, em meados desde ano de 2011, façamos as nossas mudanças: pacíficas, mas em hipótese alguma, silenciosas!

A CIDADE, o CAMPO e a SELVA: Todos juntos em um único anseio: Basta !!!  

sexta-feira, 10 de junho de 2011

BlogprogBahia - Encontro Estadual de Blogueiros Progressistas


Durante os dias 10 e 11 de Junho, a produção de conteúdo livre pela Internet estará no centro das discussões. Blogueiros, twitteiros e participantes de redes sociais estarão debatendo sobre questões ligadas à área da comunicação em tempos de integração global, focando na luta pela democratização da mídia e da criação de um marco regulatório para a acesso à internet de qualidade ao povo brasileiro. Clique nesse link para obter mais informações. 

Valeu!    

domingo, 5 de junho de 2011

USINA HIDRELÉTRICA DE BELO MONTE, NÃO!




   Neste final de semana, o Brasil mobilizou-se contra a concretização da instalação da Usina de Belo Monte. O projeto prevê a construção de uma hidrelétrica na cabeceira do Rio Xingu, causando a inundação de uma área de aproximadamente 516 km², sobre a justificativa que tal empreendimento auxiliará o Brasil em sua nossa fase de produção e expansão industrial, oriundos do PAC (Programa de Aceleração Econômica). O problema aqui, é que a instalação da usina, por sua vez, será responsável pelo maior crime ambiental perpetrado no início da segunda década do século XXI. Como assim? Explicarei melhor.


   Além de destruir todo um frágil ecossistema, já bastante impactado pelo desmatamento ilegal, queimadas e ação de pecuaristas que não respeitam as delimitações impostas pelo Código Florestal (sim, o mesmo código que está sendo modificado, para assim, aumentar o desmatamento), não obstante, contribuirá para a retirada de uma população de 5.640 índios de suas terras originais, forçando-os a deixarem para trás o seu território e, consequentemente, a história de seus antepassados, em um legitimo processo de etnocídio contra as comunidades indígenas.  

  Este movimento de extermínio, típico do modelo de desenvolvimento defendido pelos representantes do nosso país desde a década de 1970, coloca-nos em um retrocesso histórico vergonhoso sobre a importância de concretizarmos políticas alicerçadas à temática da  sustentabilidade ambiental. Enquanto, por outro lado, evidencia a falta de compromisso, a ignorância e a prepotência dos interesses privados sobre as questões nacionais, lançando para o futuro, todas as consequências nefastas da concretização de projetos assassínios em nome de um progresso excludente, deformante e segregador.

   Não por acaso, todos os países do globo estão de olho no Brasil, todavia, não somente pelo crescimento econômico e pela possibilidade de ingressarmos no seleto grupo dos "desenvolvidos", mas sim, por nossa postura frente à questão ambiental. Afinal, somos um dos poucos países onde a abundância de recursos naturais, por exemplo, a água, não é acompanhada por uma forte campanha de conscientização sobre o seu uso, aplacando o desperdício, em favor de um consumo menos “irracional”. Livrando-nos assim, da sensação que vivemos em um “paraíso” onde nada falta, onde nada faltará. Sensação ilusória, típica de uma nação enfraquecida em seu pilar fundamental: a educação, em suas distintas dimensões. 

   A Usina de Belo Monte contribui para a irreversível destruição de algo que já está em falta, por aqui, na porção litorânea do Brasil: as florestas. O poder oriundo do capital internacional está mais uma vez, sobrepondo os interesses da população brasileira, eliminando ambientalistas, corrompendo os representantes políticos através de “lobbys”, enquanto exterminam os remanescentes indígenas sobre a tutela da nossa maior representante: A presidenta da república.

   Por fim, muitos dizem por aí que o século XXI será “O século do Brasil”. Para mim, contudo, é algo difícil de imaginar, pois, enquanto estivermos sendo conduzidos por um modelo de desenvolvimento obsoleto e inconsequente; por mais rápido que os anos passem, e prodigiosa seja a nossa economia e vultosos os lucros, a mentalidade de nosso país ainda estará no século XX. Por isso, a mudança mentalidade requer um esforço hercúleo.   

   Nunca se esqueçam: O modelo desenvolvimentista não contabiliza os danos e desastres causados pela crença do progresso infinito em um planeta finito, por isso, dinheiro algum será capaz de corrigir ou amenizar, os desastres que estão para acontecer se a Usina de Belo Monte for concretizada. Não é brincadeira pessoal, isso é muito grave!

   Globalmente, todos iremos sentir as consequências desse projeto sinistro, pois, a natureza sempre foi bastante “democrática” ao demonstrar sua insatisfação frente aos nossos desmandos. Então, não se espantem com um “tornadozinho” aqui, “calor demais” acolá, desertificações em regiões outrora verdes e cultiváveis, etc. Não são exemplos fatalistas, mas sim,  exemplos das consequências de nossas ações equivocadas. 

   Dúvidas sobre o tema: aprofundem-se, mobilizem-se! Como falava um amigo: "Pequem pelo excesso de conhecimento, jamais pela ausência dele." Reaja, pois não há mais tempo! A mudança partirá da ação popular independente de "bandeiras" e posições ideológicas. A história ensina-nos que já NÃO podemos contar com os nossos representantes políticos. Então, será que devemos esperar mais "lições"?  

Saúde e Paz para todos! Good Vibes, irmãos(as)!


  Abaixo, algumas imagens da mobilização ocorrida na noite do dia 03/06/11, em Salvador, no bairro da Pituba.