Neste final de semana, o Brasil mobilizou-se contra a concretização da instalação da Usina de Belo Monte. O projeto prevê a construção de uma hidrelétrica na cabeceira do Rio Xingu, causando a inundação de uma área de aproximadamente 516 km², sobre a justificativa que tal empreendimento auxiliará o Brasil em sua nossa fase de produção e expansão industrial, oriundos do PAC (Programa de Aceleração Econômica). O problema aqui, é que a instalação da usina, por sua vez, será responsável pelo maior crime ambiental perpetrado no início da segunda década do século XXI. Como assim? Explicarei melhor.
Além de destruir todo um frágil ecossistema, já bastante impactado pelo desmatamento ilegal, queimadas e ação de pecuaristas que não respeitam as delimitações impostas pelo Código Florestal (sim, o mesmo código que está sendo modificado, para assim, aumentar o desmatamento), não obstante, contribuirá para a retirada de uma população de 5.640 índios de suas terras originais, forçando-os a deixarem para trás o seu território e, consequentemente, a história de seus antepassados, em um legitimo processo de etnocídio contra as comunidades indígenas.
Este movimento de extermínio, típico do modelo de desenvolvimento defendido pelos representantes do nosso país desde a década de 1970, coloca-nos em um retrocesso histórico vergonhoso sobre a importância de concretizarmos políticas alicerçadas à temática da sustentabilidade ambiental. Enquanto, por outro lado, evidencia a falta de compromisso, a ignorância e a prepotência dos interesses privados sobre as questões nacionais, lançando para o futuro, todas as consequências nefastas da concretização de projetos assassínios em nome de um progresso excludente, deformante e segregador.
Não por acaso, todos os países do globo estão de olho no Brasil, todavia, não somente pelo crescimento econômico e pela possibilidade de ingressarmos no seleto grupo dos "desenvolvidos", mas sim, por nossa postura frente à questão ambiental. Afinal, somos um dos poucos países onde a abundância de recursos naturais, por exemplo, a água, não é acompanhada por uma forte campanha de conscientização sobre o seu uso, aplacando o desperdício, em favor de um consumo menos “irracional”. Livrando-nos assim, da sensação que vivemos em um “paraíso” onde nada falta, onde nada faltará. Sensação ilusória, típica de uma nação enfraquecida em seu pilar fundamental: a educação, em suas distintas dimensões.
A Usina de Belo Monte contribui para a irreversível destruição de algo que já está em falta, por aqui, na porção litorânea do Brasil: as florestas. O poder oriundo do capital internacional está mais uma vez, sobrepondo os interesses da população brasileira, eliminando ambientalistas, corrompendo os representantes políticos através de “lobbys”, enquanto exterminam os remanescentes indígenas sobre a tutela da nossa maior representante: A presidenta da república.
Por fim, muitos dizem por aí que o século XXI será “O século do Brasil”. Para mim, contudo, é algo difícil de imaginar, pois, enquanto estivermos sendo conduzidos por um modelo de desenvolvimento obsoleto e inconsequente; por mais rápido que os anos passem, e prodigiosa seja a nossa economia e vultosos os lucros, a mentalidade de nosso país ainda estará no século XX. Por isso, a mudança mentalidade requer um esforço hercúleo.
Nunca se esqueçam: O modelo desenvolvimentista não contabiliza os danos e desastres causados pela crença do progresso infinito em um planeta finito, por isso, dinheiro algum será capaz de corrigir ou amenizar, os desastres que estão para acontecer se a Usina de Belo Monte for concretizada. Não é brincadeira pessoal, isso é muito grave!
Globalmente, todos iremos sentir as consequências desse projeto sinistro, pois, a natureza sempre foi bastante “democrática” ao demonstrar sua insatisfação frente aos nossos desmandos. Então, não se espantem com um “tornadozinho” aqui, “calor demais” acolá, desertificações em regiões outrora verdes e cultiváveis, etc. Não são exemplos fatalistas, mas sim, exemplos das consequências de nossas ações equivocadas.
Dúvidas sobre o tema: aprofundem-se, mobilizem-se! Como falava um amigo: "Pequem pelo excesso de conhecimento, jamais pela ausência dele." Reaja, pois não há mais tempo! A mudança partirá da ação popular independente de "bandeiras" e posições ideológicas. A história ensina-nos que já NÃO podemos contar com os nossos representantes políticos. Então, será que devemos esperar mais "lições"?
Saúde e Paz para todos! Good Vibes, irmãos(as)!
Abaixo, algumas imagens da mobilização ocorrida na noite do dia 03/06/11, em Salvador, no bairro da Pituba.

1 comentários:
Parabéns pela ótima reflexão irmão! BELO MONTE NÃO!
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